31 de out. de 2013

Outubro, um Mês Especial

Ah outubro. Como você é sempre peculiar. Mês de aniversário de Carlos Drummond de Andrade (hoje) de Vinícius de Moraes (dia 19) e do meu irmão! E também neste dia 27, tivemos a perda de um dos caras mais "ultra very fuck underground" que conheço, o Lou Reed.

Primeiramente, um dos poemas do Drummond que mais gosto:

Os Ombros Carregam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

Em vão mulheres batem á porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada espera dos teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo,
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.



Retirado de "Sentimento do Mundo" Carlos Drummond de Andrade.

Uma homenagem ao aniversariante: 

"C.A.D"

Então poeta, hoje você faria 111 anos.
Pena que você não está aqui pra assistir.
Esses homens não aprenderam nada.
Enquanto você tinha medo dos alemães, 
Nós temos medo de nós mesmos.

Sim, os heróis, se entupiram de heroína,
E agora vivemos aqui, em pé de chacina.
Tio Sam continua preparado,
Mas caí a todo instante,

Agora tudo é guerra civil, 
Tudo é motivo pra baderna, 
No mundo Árabe e aqui no Brasil.

O sentimento do mundo é o mesmo,
Ódio, nas nações exploradas,
Mesquinharia nas nações exploradoras,

A alienação, continua a mesma,
A baixaria, bom, essa evoluiu.

E agora que fazes aniversário,
Passaste despercebido, graças ao feriado americano.

Que a maneira de ter o mundo ao ombro não mude,
Porque agora poeta,
Ele está diferente, 
E carrega-lo está sendo uma tarefa para os veteranos centenários.

Agora uma singela homenagem á Lou Reed:

Adeus Lou!

Em um dia perfeito, 
Ouvindo a música perfeita,
Ele me ensinou a andar do lado selvagem,                                                                                           Aprendi com ele a tomar cuidado com as "Femme Fatales" de plantão.
Aprendi que toda manhã é uma festa.
E vi que serei seu espelho,

Adeus Lou,
Vá, mas não em silêncio,
Parta em seu caminho,
Mas com uma guitarra na mão,

Adeus Lou,
Vá, te entendo,
Porque eu sei o que é ser um homem cansado,
Um homem exausto, da pele de Vênus.


E um presente de aniversário atrasado ao meu maninho:

Nove

Nem consigo acreditar,
Que aquela coisa pequena, branca, 
Que vi á nove anos atras,
Cresceu tão rápido.

Ei, pequeno violinista, 
Componha a melodia,
Que me junto a você com a letra, e com o violão,
Continue esse moleque sabido, 
Que só orgulha o seu irmão, 

Mas que você cresça mais, 
Até que nossa camaradagem, 
Torne-se boêmia, 
Caindo na malandragem, 
La se vão os Irmãos Ferreiras, 
Com seus instrumentos, lápis papéis e coragem,

Bagunçando o que vai contra nossas ordens, 
Melhorando nossa amizade,
Até que chega a idade,
De um dizer adeus ao outro, 

Iremos ter nossas casas, famílias,
E que essa união permaneça por todo o sempre.

Para você, pequeno magrelo,
Não deixe morrer essa doce criança que há em você,
Mas amadureça, no tempo certo, 

Para um dia contarmos á nossos filhos, depois á nossos netos,
Nossas estripulias, aventuras, brigas, e conciliações. 
    

Lou Reed- Perfect Day





Pela Luz dos Olhos Teus Tom Jobim (letra de Vinicius de Moraes)



Carlos Drummond de Andrade



 

                           
    

22 de out. de 2013

Californizando



Após acompanhar cinco temporadas de "Mad Men", estou assistindo outra assiduamente outra série, cujo nome é "Californication" que conta as loucuras de Hank Moody, um escritor tentando conciliar a vida profissional, familiar, e sair de uma crise de bloqueio mental, para voltar a escrever e se manter em Los Angeles.
Apesar de sentir grande amor pela mãe de sua filha, não consegue passar uma noite sem um rabo de saia diferente.
 Gosto da série porque me identifico com o protagonista. Um homem irônico, culto, semi-alcoólatra irresponsável, um homem que está afundando-se. Resumindo, um homem oco, tentando sair de uma cidade onde tudo cheira a sexo, drogas (lícitas ou não) e música alta.
 As temporadas vão passando, Hank se enroscando em problemas, e vemos como nossa sociedade torna os "artistas" máquinas de auto consumo, máquinas de ferrarem com suas próprias vidas, máquinas ocas.  




        "You Can't Always Get What You Want - Rolling Stones"

Marca a trilha sonora de Californication




15 de out. de 2013

Para Todos Nós

Esses dias eu estava ouvindo uma música do Chico Buarque cujo nome é "Paratodos". E agora eu fico pensando o quão bacana é a mistura cultural brasileira. 

"O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antonio Brasileiro
Foi Antonio Brasileiro
Quem soprou esta toada
Que cobri de redondilhas
Pra seguir minha jornada
E com a vista enevoada
Ver o inferno e maravilhas
Nessas tortuosas trilhas
A viola me redime
Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro
Vi cidades, vi dinheiro
Bandoleiros, vi hospícios
Moças feito passarinho
Avoando de edifícios
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho
Para um coração mesquinho
Contra a solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto
Viva Erasmo, Ben, Roberto
Gil e Hermeto, palmas para
Todos os instrumentistas
Salve Edu, Bituca, Nara
Gal, Bethania, Rita, Clara
Evoé, jovens à vista
O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro" 


Temos tanta coisa a ser valorizada que está cada vez mais sendo deixada para trás!

O samba de Noel Rosa, Cartola e Adoniran Barbosa, o chorinho, o baião, o xote, e até mesmo a MPB estão sendo perdidos. 

Isso faz parte da "BOA CULTURA" que me referi no último post, uma cultura de uma época em que todos tinham classe, e que até mesmo as pessoas de baixa renda se davam ao respeito. Uma cultura de um país que estava á todo vapor, combatendo a desigualdade, agregando valores. 
Um país que foi construído pelas mãos africanas, e depois as mãos nordestinas. E o nordeste que sempre foi o ponto de partida, de onde saíram pessoas fugitivas da fome,da miséria, misturaram a feijoada euro/africana, com a feijoada Ítala/Alemã do sul e do sudoeste. 

E tenho todo orgulho de dizer (ou escrever) que meus avós paternos eram pernambucanos,meus avós maternos paranaenses, e que sou um escritor, um escritor brasileiro! 



Paratodos, Chico Buarque


   















"Escorregando" de Ernesto Nazareth.
Essa música é considerada um "Tango Brasileiro",
Para mim, ela lembra uma polca. 





      














"Trem das Onze" de Adoniran Barbosa, um clássico do samba paulista.



















"Conversa de Botequim" de Noel Rosa.





















9 de out. de 2013

Orgulho de Ser Brasileiro

Estou aqui meus caros, para dizer em duas postagens o quanto gosto da cultura desse país, o quanto admiro e quero que a BOA CULTURA continue circulando. 
Esse comportamento é para mostrar as pessoas (principalmente amigos meus) que tenho um sentimento nacional, e que ele não estava escondido.

Fiz uma lista dos dez melhores filmes brasileiros (segundo meu gosto):


10- A Margem (1967)

Clássico escrito e dirigido por Ozualdo Candeias conta a história da pobre população que habitava a região da marginal tietê.





















9- A Meia Noite Levarei A Tua Alma (1963)

Grande sucesso do Mojica Marins (criador e interprete do Zé do Caixão). Uma aventura sádica, de um coveiro querendo gerar um filho perfeito.

  


















8- Deus e o Diabo Na Terra Do Sol (1964)

A odisseia de Manoel contra os latifundiários do sertão.








7- Meu Tio Matou Um Cara (2004)

Duca tenta provar a inocência de seu tio Éder, mas para isso vai se meter em várias confusões.


 















6- Nem Verdade Nem Mentira (1979)

Excelente curta metragem experimental de Jairo Ferreira.



















5- O Homem Que Copiava (2003)

As aventuras de André, rapaz gaúcho com o sonho de ficar rico, porém é um "operador de fotocopiadora" (tirador de xerox mesmo) e o sonho fica distante da realidade.


 

















4- O Alto Da Compadecida (2000)


Comédia sertaneja, sobre Chicó e João Grilo, dois malucos que vivem ficando ricos e pobres ao mesmo tempo. 




3- Meu Nome Não É Johnny  (2008)

Baseado em fatos reais, esse filme nos mostra a história de João Guilherme Estrella, um playboy que se tornou um dos maiores traficantes de droga do Brasil.




















2- Limite (1930)


Já foi comentado aqui no blog porque é sensacional mesmo! Filme mudo e experimental de Mário Peixoto. 




















1- O Bandido Da Luz Vermelha (1968)

Um monstro ou uma vítima do sistema? É essa a principal dúvida que o clássico do "Cinema Marginal" (que na verdade é mais experimental, e foi incompreendido na época) deixa no ar sobre o protagonista Jorge, o bandido da luz vermelha.

















O principal motivo desse post é mostrar que o cinema brasileiro é muito mais que a chanchada (ou pior, a "pornochanchada"). Ainda temos muitos filmes bons do cinema novo, do cinema experimental (ou undigrudi) e até mesmo atuais, como "O Magnata" ou "Tropa de Elite". Só basta nós valoriza-los e divulga-los da melhor forma possível.