20 de jun. de 2015

Daniel o Ex Medíocre

Na fraqueza, pobre Daniel, lutou contra tudo e aprendeu que as respostas e as conquistas não cairiam do céu.
 Vivia em um cubículo que chamavam apartamento em um lugar que nomeavam “conjunto habitacional”, que nada mais é uma versão moderna e um pouco mais organizado dos cortiços dos tempos de expansão metropolitana de São Paulo, situado no extremo leste, no Itaim Paulista para ser mais especifico. É habitado principalmente por proletários, classe média, e o Daniel.
 Na dureza do dia a dia, pobre Daniel,  sofreu paixões, ascensões e ruínas. A comida era ruim, mal sabia cozinhar e nunca tinha tempo para aprender, o transporte era caro e apertado, sabia dirigir mas não sabia ganhar dinheiro, e de qualquer forma comprar um carro para ficar no trânsito estava fora de cogitação para ele. Era assistente administrativo no setor de documentação de uma multinacional que explora pobres pessoas.
 E a consoladora chegava logo depois do expediente, dividindo mesa com alguns amigos da repartição em um bar da Vila Olímpia, jorravam-se alguns miligramas de uísque barato e cachaça e voltavam cambaleantes e risonhos para suas vidas vazias. Daniel que era mediano pra tudo até na aparência não era aquele cara que atraia muitas mulheres no bar, até que conheceu uma jovem, cabelos pretos, olhos claros e pouca maquiagem, seu nome era Marise, e só saiu com Daniel por que bem, ela era uma espécie de “olheira” do bar, ou seja, ela avaliava e depois se o cara tivesse a agradado então recomendaria ás amigas.

 Por sorte na hora de ir pra cama Daniel não fora tão medíocre e tirou um “9,5”, assim cresceu sua alta estima e ele começou a paquerar as mais cobiçadas mulheres do bar, até que se apaixonou por Fernanda diretora de arte de uma agência de publicidade dali perto. Ela mulher de sucesso, ganhava muito bem e investiu em Daniel e ele conseguiu subir de cargo na empresa que trabalhava após alguns anos de estudo e dedicação. Casaram-se e até hoje vão ao mesmo bar depois do serviço e em gratidão á Marise pagam rodadas para ela da melhor vodca que existe toda sexta-feira.        

1 de mai. de 2015

Um Pedaço

 Nunca foi nada, só mais um pedaço do tudo que é a Metrópole. Temia o enfisema, a tuberculose, o câncer de pulmão e traqueia, mas não largava o cigarro. Era só mais um desgraçado em que cuja porta a sorte não batera e os deuses não abençoaram. Irritado pelo trem apertado, pela falta de compaixão politica para com os moradores do extremo leste ele xingava aos governos, não era ouvido, era só mais pedaço do tudo que é a metrópole, desgastado e substituível.
 Lá vai mais um homem opaco, como o mundo que vive, misturando-se ás pessoas públicas e privadas, lá vai mais um homem oco, o republicano dos dias volúveis .

 O mundo opaco, diferente daquele colorido da terra do sonhos, o dormir é necessário, e viver é prazeroso, e o sobreviver é miserável. Somos todos um grande pedaço de tudo o que é a metrópole e senhores, meu corpo está cansado, minha  barriga vazia e meu peito prestes a arrebentar.