10 de ago. de 2014

Sr. Itaim O Estudante E os Pais

Meu pobre amigo Sr. Itaim tem três pais:

O Pai Filósofo
O Pai Doutrinário
O Pai Malandragem

 O Pai filósofo é também o biológico. Homem sofrido perdeu o pai ainda criança e quando se fez adulto tinha receio de não ser um bom pai. Hoje é pai de dois filhos, e tem uma visão de mundo tão grande que Sr. Itaim o admira mais que qualquer ser nesse mundo. Tem um jeito engraçado de ser, fala palavrões, faz piadas, e vive feliz com a vida de suburbano. Ensina os filhos com o bom exemplo, com a honestidade e sempre incentivando os pequenos á estudar e aproveitar todas as oportunidades de crescer que existe.
 O Pai Doutrinário é o avô de Sr. Itaim, hoje um patriarca respeitoso, homem também sofrido que se dedica á religião, á suas hortas, coisas da natureza e á família. Ensinou meu pobre amigo o valor da humildade, da vida simples e do contato com a mãe natureza.
 O Pai Malandragem foi um tio do Sr. Itaim, e mais que sobrinho ele virou um discípulo. Com esse pai aprendeu coisas importantes como andar de bicicleta, jogar GTA, xavecar as garotas, e piadas, e comportamentos em bares e botecos. Este pai não está mais conosco, foi-se embora jovem por vontade própria ou por cansaço á vida equivocada. Ensinou ao pobre Sr Itaim o estudante meu caro amigo que talvez a malandragem não seja lá um caminho muito vantajoso de se caminhar apesar dos prazeres. Uma vida de crimes consigo mesmo que francamente não compensa.   


9 de ago. de 2014

Sr. Itaim o Estudante E As Paixões

 Sr. Itaim o Estudante meu pobre amigo teve deveras uma vida curta até agora, mas um coração que carrega paixões abadaladas!
 Sentado num banco de praça do sujo bairro do Belém Sr. Itaim relembra as garotas do Alto do Pinheiros, de São Miguel Pta, da francesa da Vila Carrão, da Italiana do Brás, da mulata de Itaquera, de uma outra que não recordava o nome nem o bairro, mas sim o prazer. Lembra também de um passado não distante que ainda tinha suas platônices por uma amiga ou outra. Encarou o futuro, acontece que o passado nunca pode nem deve ser esquecido e agora sofre com os amores que a vida trouxe e ele não viveu para correr aos pés de quem não dava o valor suficiente. Porém a questão de valores se distorceu em sua caminhada, onde encontrava um alvo fácil ia com toda força (até mesmo na conotação maliciosa da expressão). Ao passo que evoluiu em suas conquistas esqueceu-se do romantismo, da gala, e do jeito nobre e respeitoso que tinha.
 Pobre Sr. Itaim o Estudante, que certo tempo provou do melhor sabor que os prazeres das paixões podem dar e hoje sofre por ter descoberto que como tudo na vida, isso não passa de uma grande ilusão.

 A vida resumiu nas amizades, nos estudos demasiados, na cachaça de graça para se engolir e no cansaço que coloca a prova qualquer ser humano que não tem uma amada para se confortar no fim do dia.

6 de ago. de 2014

Sr. Itaim, o Estudante E As Notas


 Problema de estudar em lugar longe é o cansaço. Mas foi escolha do pobre estudante, estudar naquele bairro sujo do Belém! “Ora, já que a ETEC é a única coisa que fununça então vamos lá...”
Prestou a prova, passou, mas quem disse que está conseguindo se manter?
 Pobre Sr. Itaim viveu dependente do ensino estadual suburbano (que consegue ser melhor que o do interior segundo pesquisas) e agora não tem base alguma para tirar boas notas num sistema de ensino que é considerado bom.
 E aí vem a comparação de que antes a única coisa que funcionava direito por aqui era o metrô, agora só as ETEC’s e depois serão os Monotrilhos e daqui dois mil anos será a vez da política.
 Então Sr. Itaim quer se revoltar, mas sabe que não adianta, o capitalismo será o mesmo, o socialismo nunca vai existir sem a exploração e a Anarquia não passa de uma estupidez de adolescentes. Afinal de contas quem é que vive sem regras? Creio eu assim como meu amigo que isso é coisa impossível de se acontecer, pois se com leis o ser humano caga e senta na merda imagina sem elas?

  É mesmo tudo coisa louca isso né? Sabemos que por mais que nossos instintos de jovens nos digam para lutar contra coisas que julgamos erradas vamos crescer e ver que isso não passa de uma mera ilusão. As marcas, as roupas, e toda a besteiragem desse mundo, ora, deixemos de coisa e cuidemos da vida, abrimos um livro didático pois assim vivemos confortáveis ou nem tanto mas teremos um pouco do conforto, afinal de contas ninguém nasce sabendo, então o negócio é correr atrás do prejuízo Sr. Itaim! Semestre que vem quero ver seu boletim lotado de “B’s” ou “MB’s”, aproveite as oportunidades que você vai além do que pensa que pode ir!

5 de ago. de 2014

Sr. Itaim o Estudante E O Sonho da Maioridade


Andando pelas sujas ruas do sujo bairro do Belém, pobre Sr. Itaim o Estudante se deparou com uma questão.
 Malditos cinco reais no bolso e a vontade de tomar uma cachaça e comprar cigarros.
 O que fazer? Pedir á algum amigo maior comprar pra ele? Pedir á um morador de rua?
Quão dependente é esse garoto, deveras, depende da permissão dos pais pra tudo, depende da nicotina, nesses dias que fica sem ela o rapaz quase que endoida! Fica louco pra pedir pra alguém, ou pegar uma bagana que cair por aí. Tem conhecimento dos estragos que dois anos de vício geraram e não quer continuar na contra-mão.
 Sr. Itaim o Estudante, vive rotina, estresse, respira poluição, e quando acorda não sabe separar o sonho da realidade. Prefere dar uma de preguiçoso e pular a fase do aprender, chegar a maioridade, ter um apartamento pequeno no Centro, uma vida boêmia, muitos amores, e esquecer-se do passado.
   Pobre Sr. Itaim... Sabes que a vida é feita pra se encarar e construir um futuro, e não escorar-se na vagabundagem e viver uma vida de tormentas... Ora, isso também indigna! Afinal, vence a fome, o frio, o cansaço, a vontade de fumar, beber e de ver a amada, e tudo pra quê? Pra receber um status e um salário melhor enquanto a vida passa e o dinheiro acumulado é pouco aproveitado?
 Mas como ter conforto sem deixar-se cair nas badalagens da vida?

 Essa é a pergunta que faz o pobre Sr. Itaim passar demasiadas horas sem fechar os olhos e ter esperança de um novo dia.  

15 de jul. de 2014

Gota d'água


 Meu caro amigo Pedro é um rapaz que vive pensando, e ás vezes esquece-se dos assuntos práticos para viver no mundo da lua. Não que isso seja uma coisa ruim, mas o bicho ta pegando na casa dele e parece que, bom pobre Pedro, nem liga pra isso!

 O maior prazer dele era levar os amigos para sua casa, beber, fumar e debater literatura, porém sua amada, Maria Rosa não gostava nem um pouco, vira e mexe Pedro era convocado á cozinha e podíamos ouvir:

“Esses indecentes vem comer do nosso pão e encher a casa de fumaça, tire-os daqui ou saio eu!”
 Então nossa festinha mudava de endereço, íamos ao bar mais próximo. Sempre pagávamos a conta, Pedro nunca tinha dinheiro, não trabalhava muito, pois achava que conseguia viver com os seus livros e algumas aulas de eventual numa escola do estado. Sempre avisávamos:

“Pedro, ajeita o terno e vá arrumar um emprego... Pedro, não da pra viver com o que se escreve, todo mundo aqui trabalha...”

 Mas não adiantava, Pedro insistia em viver naquela paranóica e doce ilusão de que a vida é feita para se viver e não para ter luxos, o básico estava de bom tamanho... Mas nem isso Pedro conseguia garantir, faltava arroz e feijão, luxo era comer carne!
 Acontece que Maria Rosa, já cansada dessa vida resolveu ela mesma ir atrás de emprego, conseguiu uma vaga de auxiliar administrativa numa empresa grande na Av. Paulista.

 Certo dia estávamos reunidos na casa de Pedro fazendo o que era de costume e então Maria chegou, exausta, arrasada e desiludida e quando viu aquela fumaçada, as garrafas vazias e os filhos com fome os olhos dela encheram-se de lágrimas, não se sabe se eram de tristeza ou de indignação, só sabemos que após aquele dia Pedro saiu de casa, e agora vive uma vida mal vivida, sem amor de esposa ou de filhos, só espera o perdão, o emprego, e os anos de glória, mesmo sem perceber que isso tudo já se foi. 

9 de jul. de 2014

A Boêmia




Conto-lhes de um tempo,
Que até eu queria reviver,

A perfeição, definia-se
Na fumaça do Black dela misturando-se ao meu Minister,
Uma taça de vinho,
E longas noites de amor.

A boêmia... A boêmia,
Um sabor de cereja no batom,
A boêmia... A boêmia,
Um cheiro amentolado no perfume de mulher.

Naquela época ainda havia glória,
Naquele cortiço semi enriquecido do Bexiga,

Lembranças que até hoje guardo na memória,
E apesar da vida miserável,
Da roupa gasta, e da geladeira quase vazia,

Vivíamos a vida
Com muita vontade,

E a felicidade,
Só batia a cada quinzena,
Quando repartíamos a cachaça e pão nosso.

Ah, a boemia... A boemia,
Um sabor de decisões erradas,
A boemia, a boemia,
A luxúria e a necessidade.

 Agora toda vez que passo ali,
Sinto uma dor no peito,
Saudades do que o tempo levou,
Mas esqueceu de apagar,

Hoje o lugar é só mais um bairro,
Devastado, arruinado,
Cheio de poluição,
Mas ainda resta um resquício da era de ouro.

Uma rodinha de samba,
Um pintor falido
E meia dúzia de botecos semilotados.

A boêmia... A boêmia,
Um sabor de ilusão,
A boêmia, a boêmia...
Um sabor de nostalgia!


24 de jun. de 2014

Paulistana Cabra da Peste

Quando faltou água 
E o Cantareira se secou,
Quando a barba cresceu e a responsabilidade me chamou,

Foi ai que me mandei,
Meu subúrbio tive que deixar,
Minha pequena também...

Quando os marmanjos só pensavam em ostentar,
Quando a mãe tinha conta pra pagar,
Tornou-se a verdadeira guerreira...
Paulistana cabra da peste 
Sim seu doutô,

Mais macho que muito playboy 
Sim sinhô,
Mais delicada do que princesa das terra gelada
Sim patrão.


Quando o sol raia no céu,
Quando o relógio desperta,
Lá se vão elas pro trem,
Atravessar a cidade, e garantir o pão de cada dia.


Paulistana cabra da peste
Sim seu doutô.

Quando a chuva cai brarba,
Quando as talbua e os telhado avuam,
Lá vai a trabalhadora de verdade,
Martelar,
Quando a noite chega
Quando as crias pedem o que rangar,
Lá vai a verdadeira mãe,
Cozinhar,lavar,passar,cuidar.

Paulistana cabra da peste
Sim seu doutô! 

22 de jun. de 2014

Protestos

Andando perdido pela cidade,
Sem crédito no bilhete
E nem um real no bolso 
Eu irei!

O Sol ilumina o Planalto,
O Itaquerão 
e a Careca do Sr. Senadores,

Entre bandeiras
Crianças descalças jogam bola,
O político continua roubando,
O americano continua espionando,


Em fotos de torturados,
A lembrança se consola,

Entre senhores negligentes,
Vaias ao francês 
E á Presidenta!

O sol brilha para os elististas,
Em toda TV, revista ou banca de jornal.

Eu irei,
Por entre trens lotados,
Tráfico de haitianos,
E padres pedófilos,

Sem bandeira 
Sem pátria, 
Eu irei!
Porque será? Porque será?

Ela fala de namorar sério,
E eu vou mal na ETEC,
Sem metrô, sem crédito no bilhete,
Mal eu consigo chegar na ETEC.

Eu não gosto nem de Jack Daniel's,
E ela fala o que é da moda,
Eu tomo uma cachaça,
E ela fala de namorar sério,

Eu irei!
Por entre cracudos e governadores ditadores,
Sem máscara sem roupa preta,
Sem religião, sem capital,
Para o coração financeiro municipal!

"Ela nem sabe que eu estava lá"
De fato, eu pensei,
Pois o Sol não brilha no lado leste da cidade,
Nem no extremo norte ou sul,
Pergunte para os moradores do Itaim Pta.
Da Vila Brasilândia, ou do Grajaú!

Eu irei!
Sem dinheiro que não tenho,
Eu irei!
Com a minha voz, com meu direito e um cartaz!

Eu irei,
Porque será? Porque será?
Porque será? Porque será?
 
 
 

19 de jun. de 2014

Meu Caro Amigo

 Nunca entendi o motivo das pessoas falarem que sou parecido com Chico Buarque, tanto na aparência como na forma de escrever, acho que falta muito pra que eu chegue ao menos nos pés dele. 
 E hoje o grande Mr. Hollanda completa 70 anos, conhecido pela poesia musicada, por enganar a ditadura e fazer parte da história da MPB, o mito  Francisco Buarque de Hollanda, parente de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (o que fundou o dicionário com o mesmo nome).
 Desde pequeno ouço as músicas dele e cada dia que passa fico mais maravilhado com a geniosidade que ele tem pra escrever, descrever e falar sobre as questões politicas tanto quanto das coisas do coração. Outras obras do Chico também me chamam atenção, por exemplo algumas de suas peças teatrais como "A Ópera do Malandro" (que também ganhou uma versão no cinema) ou "Calabar: o Elogio da Traição". 
 Desejo um feliz aniversário pro Chico e deixo vocês com uma lista de algumas das minhas músicas favoritas dele:






  










18 de jun. de 2014

Medo da fúria paranoica

 Agora a vida pode ser resumida 
Por dois sentimentos.

O de fúria e o de medo.
Temos fúria do politico,
E depois temos medo do blackblock que quer derrubar o capitalismo,
Para tal façanha ele protesta esbanjando fúria.

Então temos fúria do blackblock,
Pois ele depositou sua fúria no transporte público
Do qual precisamos.

Então temos medo de viver numa ditadura interminável, 
Ao mesmo tempo que possuímos ódio da democracia mal administrada.


Para melhorar essa tal democracia
Temos o direito de protestar.
Quando menos esperemos sentimos fúria dos metroviários 
E todos os grevistas relacionados á transporte,
Que reivindicam seus direitos, afinal vivem numa democracia;

O politico com medo de não ser popular 
Luta por alguma melhoria básica em qualquer área social.

Isso é uma coisa muito louca,
Mas meu medo particular 
é o da paranoia.

Paranoia não é endoidar,
Pois doido já sou,
Paranoia é morrer de medo de amar.

É a fúria de não ser correspondido,
  É o medo de se viciar nos males urbanos,
E esquecer que no peito um coração bate.

16 de jun. de 2014

Vida Sobrevivida

Ora já me disseram
Que a vida é feita de alegrias
Lágrimas ruínas e superações.

Há quem diga também 
Que sou menino demais e não sei viver

Mas quem fala que aprendeu a viver,
Não sabe a diferença entre respirar e sobreviver.

Olho em volta esse povo 
Carcomido iludido e descontrolado.

Tenho dó daquele povo de nariz em pé
E ainda mais daquela gente que vive ás beras
Que se diz rica só porque tem fé.

Não sou homem de crendices,
E não sei o que é orar 
Mas graças á minha razão 
Estou aqui há 15 anos em pé.

Nas costas a responsabilidade 
No coração o sofrimento 
E para aqueles que acham a vida tão complexa de se viver
Carrega um pouquinho disso que eu quero ver. 

Há um ditado que promovo,
"Macaco senta no rabo dele pra falar mal do rabo do outro"
Então quem não quer viver os problemas todos de novo,
Não falem mal de mim.

Pois a boêmia cura as minhas dores,
O trabalho e esforço são regras,
A sobrevivência faz parte,
E vivência só acumula experiência e amores.

15 de jun. de 2014

Resiliência

Você não liga para mim,
Talvez finge ligar,
Você sabe disso,
Você sabe que eu não iria me importar.

Eu escrevo poemas,
E você sabe pra quem eles são;


Eu poderia repetir seu nome um milhão de vezes
Poderia enlouquecer de pensar em você
Mas isso não iria te trazer pra mim

Não significa nada
Pois eu não me importo.

Você tem alguém,
Tem muitos alguém
Eu tenho também.

Mas do que adianta?
Gostar de não gosta de mim.

Peguei um trem, viajei,
Não quero você na minha vida,
Você me faz pensar tudo errado.


Eu poderia chorar como um tolo,
Eu poderia me jogar no vício.
Mas nem aquilo á que me entrego
Traz felicidade.

E aqueles outros que te beijaram,
Foram homens de sorte
Homens da conquista 
Que pra mim é inexistente.

Quando me aproximo
Ela se afasta.
Quando ela me da esperança,
Algo da errado,
Você me faz pensar as coisas da nossa relação 
De um jeito errado.

Resiliência me desanima. 

30 de mar. de 2014

Ilha Das Flores

 Jorge Furtado é um grande diretor e roteirista brasileiro, entre os tantos trabalhos bem sucedidos de bilheteria ou de crítica, um dos que mais admiro é o documentário "Ilha Das Flores". Uma produção incrível critica a falta de compaixão humana. 
  O impacto é logo de começo:

  "Isto não é um filme de ficção;
   Existe um lugar chamado Ilha Das Flores;
   Deus não existe."

Depois:
(Narrador)
"Cristo era um judeu;  (imagem de Jesus)
" Os judeus possuem o 
telencéfalo altamente 
desenvolvido 
e o polegar opositor. 
São, portanto,seres humanos."   (imagens do Holocausto)


Uma obra realmente magnifica, dinâmica, e aclamada internacionalmente. O cinema brasileiro merece mais Jorges Furtados.

Ilha das Flores





18 de mar. de 2014

Uma História de Boêmia Paulistana

 Mude o cenário, mas não a cidade. Nosso caro homem oco agora se aventura e explora não a Vila Mariana, mas sim o Belém.
 Provando as belas sensações já aqui descritas. Sentado em um bar de esquina, Rua Herval com a Doutor Clementino ele observa os transeuntes. Duas senhoras muçulmanas passam levando um carrinho de bebê. Depois um casal boliviano (possivelmente, é o estereótipo da região). É um lugar muito diversificado, sem falar nos italianos, e outros "misturados" da região. 
 Mas o motivo do nosso amigo estar ali é justamente uma descendente de italiana, nesse momento ela vem direção do homem oco, ele, com sua classe boêmia, malandragem suburbana, convida a moça á acompanha-lo, acende um cigarro para ela. Conversam, riam, entre sorrisos e piscadelas a mulher joga-se aos braços dele.  Correm até a estação, fogem para o Tatuapé, cujo bairro é onde ela mora. Atravessam as ruas e chegam no condomínio, e entre as barreiras até o apartamento dela e ali entrelaçam-se e amassam-se como um casal em lua de mel.  
 Conheceram-se fazia alguns meses, no metrô, numa daquelas situações de aperto em que o rapaz segura a moça, pois ela é pequena e não acha lugar pra segurar. A mágica aconteceu ali. Conversaram, trocaram telefone e bom, lá estavam. 
Agora voltemos ao apartamento. Ela ainda deitada admira o homem oco vestindo-se, ajeitando o blazer, dando um tapa no topete. Aquilo tudo para ele, só mais uma mulher semi-deusa que levava para a cama. Para a semi-deusa, bom, só mais uma celebração á Dionísio, coisa rotineira.
 Nosso protagonista sai daquele local pensando "Não acredito, 23 horas ainda? Esse sábado não pode acabar assim". E não acabou. Correu até a estação, foi até a Sé, de lá foi até a Luz, de lá, desceu na Ana Rosa. Sim, aquela região da Vila Mariana onde aventuras e absurdos aconteceram. 
 Entra num bar muito frequentado por amigos antigos, senta no balcão e ao seu lado um companheiro de muitas guerras, Pedro O Jornalista. 
- Boa noite. Mr Hollow Man.
- Boa noite meu amigo Pedro. Como vai o cavalheiro?
- Andando. Aproveitando o sábado para fugir da família e beber um pouco. E o senhor?
- Bem... Lembrando algumas aventuras.
- Ah, nossas aventuras... 
- Poderíamos aproveitar a ocasião, comemorar com aquelas senhoritas ali naquela mesa.
- Não temos mais 25 anos, dez passaram-se, eu casei e tenho filhos.
- Ora, uma vez na vida não faz mal. 
- Essa é a vida que planejei, que lutei pra ter, não vou estragá-la por uma noite de potrancas e bebidas caras. 
- Tudo bem então, vá pra sua vida. 
 Pedro levantou-se, pagou a conta, pegou uma caneta, um guardanapo e escreveu nele: " a vida não é feita só de prazeres carnais". E realmente não era, o homem oco sabia muito bem disso, ouviu e assistiu essa lição fazia anos. Foi criado na pobreza e humildade, e aprendeu o quão batalhador deveria ser para chegar em grandes altitudes. 
 Voltou para o apartamento da senhorita descendente de italianos, antes que o sistema metropolitano de transporte fechasse. 
 No outro dia voltou ao Brás ( bairro que aconteceram outras coisas incríveis). Tomou o trem, o bom e velho trem suburbano para voltar para casa. Se tinha uma coisa que admirava ali era a cachaça barata, o povo honesto e trabalhador, e tinha orgulho de ser dali, foi ali que aprendeu tudo o que precisava, para torna-se um homem oco.

                                 
                          
Estação Itaim Paulista
Extremo Leste






  

2 de mar. de 2014

O Mundo Logorama

Há um curta-metragem animado, cujo nome é "Logorama".
É uma das obras mais lindas que já vi na minha vida. Simplesmente incrível  o trabalho dos franceses François Alaux, Hervé de Crecy e Ludovic Houplain que escreveram o roteiro e dirigiram. 
O curta é sobre uma Los Angeles construída e habitada por logos e mascotes de empresas mundialmente (ou não) conhecidas. Porém (atenção aqui tem spoiler) a mensagem do filme vai além do consumismo. Os animais no zoo representam os países desenvolvidos ( Que quando soltos são ferozes e velozes, porém quando trancafiados não "passam da 2a marcha". E o final, no final tudo acaba por causa do petróleo. Se o petróleo acaba, nós acabamos (?). Uma questão que fica, como manter todo o sistema, nosso lindo e perfeito sistema capitalista democrático quando a Terra atacar toda agressão provocada pelo ser humano?
 No final do episódio "A Tree Grows In Springfield" do desenho "The Simpsons", Logorama tem sua versão "simpsonsada", onde a fabulosa boneca "Malibu Stacy" (paródia da Barbie) é vitima de um terrível monstro e uma especie de "elfo" á salva enquanto o estereótipo de homem forte sai correndo. Passando uma mensagem de valores verdadeiros em meio aos outdoors e outros elementos de consumo.







Logorama- Legendado




Logomania- The Simpsons

24 de fev. de 2014

E o que ficou de minha infância?

 Os assombrosos e frios corredores de minha escola me transportaram para minha infância...Minha feliz e assustadora infância. 
Os sonhos... As dificuldades. Nunca gostei da escola, principalmente quando mudei de bairro. Não me senti bem longe dos meus "amiguinhos", e tive problemas para me enturmar novamente.  Sofri desesperadamente com a falta de cultura, sofri e causei preconceitos, a única coisa que eu queria era minha casa, minha família, meus brinquedos. 
 Quem sabe não foi isso que me formou um perfeito egoísta. Até os 9 anos eu era uma criança feliz, saudável, esperta. Depois que perdi as ruas do Sapopemba, emagreci, fechei a cara. Não gostava de ninguém, dos professores, colegas de classe, inspetores, e claro, a implicância maior era do diretor. Eu com ele e ele comigo.  
 Porém fui crescendo aprendi a malandragem do subúrbio, o jeito meio Adoniran de vida... Misturei tudo isso e deu no que deu, um ser humano qualquer, que não gosta da escola, mas adora a cidade, e faz todo esforço pra um dia, num futuro distante, tê-la na palma das mãos... Ou quem sabe eu desista de tudo, me forme operário, ou um administrativo, e viva como tanta gente vive... Sobrevivendo há pressão industrial, a manipulação comercial, e a opressão pessoal. 
 Um dia na velhice teremos nossa paz, dos dias coloridos da infância, fazer tudo com calma, sem pressa ou medo de usufruir do tempo.         




The Smiths- The Headmaster Ritual




Raul Seixas - No Fundo Do Quintal da Escola


12 de fev. de 2014

Aproveita o Tempo

Carpe Diem já dizia o poeta, Aproveita o tempo, pois este é precioso. 
Aproveitar o tempo para mim não é viver na gozolândia e esquecer das responsabilidades, e sim na minha pobre visão imatura de homem oco: 


 Aproveita o Tempo


Vamos cair na pilantragem, 
Quando necessário. 
Vamos fazer a coisa certa, 
Quando for o horário. 

Mas aqui na terra de ninguém,
Existe o correto ou errado? 
Não, cada um por si, 
E ainda há quem acredite em pecado. 

Vamos ler, ser cultos, 
Para ter visão de mundo, 
Visão de sentimento. 

Porém assistimos tevê também,
Mas só um pouco, 
Faz diferença?

Aproveitar o tempo, 
Entregando-se ao cigarro prazeroso, 
Á bebida embriagante, 
Ao perfume de mulher, 

Pois a paixão, 
É um bom vicio. 
Não importa a razão, 
Não importa sua opção, 
Mas como pretendo ser um homem limpo, 
Só a bebida moderada me deixa contente. 

Escolha o cavalheiro e/ou a dama, 
Encha-se de luxuria, 
Durante todo o fim de semana. 

Ou vá rezar, 
Não temos preconceitos, 
Só queremos a felicidade, 
Não importa como.


Acorde cedo, veja o sol nascer, 
A segunda-feira é difícil,
Porém até mesmo apertado no trem, 
Aproveita o tempo, 

Reflita sobre si,
Ou coloque os fones de ouvido, 
E seja feliz, com a música favorita.

A patroa xinga?
Beije e abrace a senhorita, 
O chefe reclama?
Seja bom, pergunte-lhe como foi o fim de semana.

Acabou o expediente, 
Você foi demitido?
Chegou na casa da amada,
E descobriu que foi traído? 

Aproveita o tempo, 
Pois meu amigo Adoniran já dizia:
"Não seja bobo não se escracha!
Mulher, patrão e cachaça,
Em qualquer canto se acha!"



Adoniran Barbosa- Mulher, Patrão e Cachaça


8 de fev. de 2014

A Geração da Luz

Quem foram nossos pais? Quem formou todos que vieram de 1993 para cima? 
 Ainda me pergunto onde estão todos aqueles anos de velha-guarda (há quem prefira "Old School")? 

 Há alguns dias atrás questionei meu velho por que o mundo não pode ser mais justo. Por que o mundo não muda?
Ele, como um Don Corleone versão paulistana, ajeitou-se na cadeira e respondeu :

"Por que a mudança parte de nós mesmos." 

Foi o suficiente para que todas as minhas teorias, sobre religião (ou a falta dela), politica (idem) e civilidade (ibidem) caíssem por terra. 
Um jato de filosofia invadiu minha mente. Raciocinei:
A mesma quantidade de bitucas de cigarro, e poluição no ar geradas pelos antigos adultos, será repetida em um período de dez anos. A mesma cultura machista e hipócrita irá sobreviver. 

Porém há exceções, porque se fosse desse jeito seria um ciclo vicioso. 
Encontro essas exceções nos poucos homens de bem que existem nessa mundo. No rapaz que sofre pelos estudos. Na moça que evita bagunças e prazeres degenerados. No executivo que usa o poder monetário com sabedoria e humildade. 
Essa é a Geração da Luz bicho! Tudo o que há de ruim por aqui será acabado! Eu me esforço cada dia para deixar de ser um homem oco, pois a minha vantagem nesse duelo, eles são muitos, mas não podem voar.
 Não vai ser como em "Marvin", não vai ser como em "Mad Men"... Não não, muito obrigado, já estou calejado, não quero mais andar na contra mão.   

                      Titãs- Marvin

             

                                             Raul Seixas- A Geração da Luz

                                     

                                   Raul- Não Quero Mais Anadar Na Contramão

                                      


                                        

19 de jan. de 2014

Recomeçar ou Continuar?

Galera, peço-lhes desculpas por não ter postado nada durante um bom tempo. Estive ocupado escrevendo um conto (sim, acreditem, um conto). 
 Bom, a crônica tem o mesmo título da postagem:

           Recomeçar ou Continuar? 


  Há algum tempo atrás fui para casa dos meus avós passar as férias. Gosto de pensar que ali é uma espécie de reabilitação,é uma casa na interior, onde o ar é puro, as pessoas (ao menos a maioria) são bacanas e caridosas, onde não há estresse, somente as alegrias de uma reunião familiar. Os doces, os almoços... 
Não entendo porque troquei esse tipo de vida pela agitação, pelo vício, o caminho torto. Não, não creio no inferno, nem no ceú, respeito quem crê, mas tenho certeza que somos nós que fazemos nossos pecados ou nosso perdão. 
Eu já perdoei a mim mesmo, se me arrependi? Não. O que está feito já está e não há como mudar mas sim alterar o que vai acontecer. 
Aos poucos fui me livrando dos meus hábitos nojentos. Não foram todos, mas assim vou caminhando para um lugar onde não ouvimos mais a frase "ah você precisa de um pouco disso pra ficar inspirado" ou "poxa vida, achei que você não era tão quadrado cara!".
Tenho orgulho de dizer que nesse período "semi-limpo" escrevi um conto, um roteiro, e fiz outros diversos trabalhos relacionados á arte sem usar ou beber nada que me prejudicasse. 
Isso tudo é para mostrar que o rapazinho irritado que não sabe respeitar as massas indecentes da população, ainda tem algum jeito para tornar-se um homem justo.  
OBS: Essa postagem foi escrita por volta de 30 minutos e não tomei nenhuma gota nem de café. 





Raul Seixas- O Homem

Eu...
(vou subir)
Pelo elevador dos fundos, que carrega o mundo sem sequer sentir...

(vou sentir)
Que a minha dor no peito, que eu escondi direito agora vai surgir...

(vou surgir)
Numa tempestade doida pra varrer as ruas em que eu vou seguir
Em que eu vou seguir, em que eu vou seguir...




  



Isolation- Joy Divison

Mãe, eu tentei, por favor, acredite em mim,
Estou fazendo o melhor que posso.
Me envergonha as coisas que tenho feito,
Me envergonha a pessoa que sou...

Mas se você apenas pudesse ver a beleza,
Destas coisas que eu nunca poderia descrever,
Destes prazeres - caprichosos, distrativos
Este é o meu único prêmio da sorte.