Conto-lhes de
um tempo,
Que até eu
queria reviver,
A perfeição,
definia-se
Na fumaça do
Black dela misturando-se ao meu Minister,
Uma taça de
vinho,
E longas
noites de amor.
A boêmia... A
boêmia,
Um sabor de
cereja no batom,
A boêmia... A
boêmia,
Um cheiro
amentolado no perfume de mulher.
Naquela época
ainda havia glória,
Naquele
cortiço semi enriquecido do Bexiga,
Lembranças que
até hoje guardo na memória,
E apesar da
vida miserável,
Da roupa
gasta, e da geladeira quase vazia,
Vivíamos a vida
Com muita
vontade,
E a
felicidade,
Só batia a
cada quinzena,
Quando
repartíamos a cachaça e pão nosso.
Ah, a
boemia... A boemia,
Um sabor de
decisões erradas,
A boemia, a
boemia,
A luxúria e a
necessidade.
Agora toda vez que passo ali,
Sinto uma dor
no peito,
Saudades do
que o tempo levou,
Mas esqueceu
de apagar,
Hoje o lugar é
só mais um bairro,
Devastado,
arruinado,
Cheio de
poluição,
Mas ainda
resta um resquício da era de ouro.
Uma rodinha de
samba,
Um pintor
falido
E meia dúzia
de botecos semilotados.
A boêmia... A
boêmia,
Um sabor de
ilusão,
A boêmia, a
boêmia...
Um sabor de
nostalgia!
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