9 de jul. de 2014

A Boêmia




Conto-lhes de um tempo,
Que até eu queria reviver,

A perfeição, definia-se
Na fumaça do Black dela misturando-se ao meu Minister,
Uma taça de vinho,
E longas noites de amor.

A boêmia... A boêmia,
Um sabor de cereja no batom,
A boêmia... A boêmia,
Um cheiro amentolado no perfume de mulher.

Naquela época ainda havia glória,
Naquele cortiço semi enriquecido do Bexiga,

Lembranças que até hoje guardo na memória,
E apesar da vida miserável,
Da roupa gasta, e da geladeira quase vazia,

Vivíamos a vida
Com muita vontade,

E a felicidade,
Só batia a cada quinzena,
Quando repartíamos a cachaça e pão nosso.

Ah, a boemia... A boemia,
Um sabor de decisões erradas,
A boemia, a boemia,
A luxúria e a necessidade.

 Agora toda vez que passo ali,
Sinto uma dor no peito,
Saudades do que o tempo levou,
Mas esqueceu de apagar,

Hoje o lugar é só mais um bairro,
Devastado, arruinado,
Cheio de poluição,
Mas ainda resta um resquício da era de ouro.

Uma rodinha de samba,
Um pintor falido
E meia dúzia de botecos semilotados.

A boêmia... A boêmia,
Um sabor de ilusão,
A boêmia, a boêmia...
Um sabor de nostalgia!


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