31 de out. de 2013

Outubro, um Mês Especial

Ah outubro. Como você é sempre peculiar. Mês de aniversário de Carlos Drummond de Andrade (hoje) de Vinícius de Moraes (dia 19) e do meu irmão! E também neste dia 27, tivemos a perda de um dos caras mais "ultra very fuck underground" que conheço, o Lou Reed.

Primeiramente, um dos poemas do Drummond que mais gosto:

Os Ombros Carregam o Mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

Em vão mulheres batem á porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada espera dos teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo,
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.



Retirado de "Sentimento do Mundo" Carlos Drummond de Andrade.

Uma homenagem ao aniversariante: 

"C.A.D"

Então poeta, hoje você faria 111 anos.
Pena que você não está aqui pra assistir.
Esses homens não aprenderam nada.
Enquanto você tinha medo dos alemães, 
Nós temos medo de nós mesmos.

Sim, os heróis, se entupiram de heroína,
E agora vivemos aqui, em pé de chacina.
Tio Sam continua preparado,
Mas caí a todo instante,

Agora tudo é guerra civil, 
Tudo é motivo pra baderna, 
No mundo Árabe e aqui no Brasil.

O sentimento do mundo é o mesmo,
Ódio, nas nações exploradas,
Mesquinharia nas nações exploradoras,

A alienação, continua a mesma,
A baixaria, bom, essa evoluiu.

E agora que fazes aniversário,
Passaste despercebido, graças ao feriado americano.

Que a maneira de ter o mundo ao ombro não mude,
Porque agora poeta,
Ele está diferente, 
E carrega-lo está sendo uma tarefa para os veteranos centenários.

Agora uma singela homenagem á Lou Reed:

Adeus Lou!

Em um dia perfeito, 
Ouvindo a música perfeita,
Ele me ensinou a andar do lado selvagem,                                                                                           Aprendi com ele a tomar cuidado com as "Femme Fatales" de plantão.
Aprendi que toda manhã é uma festa.
E vi que serei seu espelho,

Adeus Lou,
Vá, mas não em silêncio,
Parta em seu caminho,
Mas com uma guitarra na mão,

Adeus Lou,
Vá, te entendo,
Porque eu sei o que é ser um homem cansado,
Um homem exausto, da pele de Vênus.


E um presente de aniversário atrasado ao meu maninho:

Nove

Nem consigo acreditar,
Que aquela coisa pequena, branca, 
Que vi á nove anos atras,
Cresceu tão rápido.

Ei, pequeno violinista, 
Componha a melodia,
Que me junto a você com a letra, e com o violão,
Continue esse moleque sabido, 
Que só orgulha o seu irmão, 

Mas que você cresça mais, 
Até que nossa camaradagem, 
Torne-se boêmia, 
Caindo na malandragem, 
La se vão os Irmãos Ferreiras, 
Com seus instrumentos, lápis papéis e coragem,

Bagunçando o que vai contra nossas ordens, 
Melhorando nossa amizade,
Até que chega a idade,
De um dizer adeus ao outro, 

Iremos ter nossas casas, famílias,
E que essa união permaneça por todo o sempre.

Para você, pequeno magrelo,
Não deixe morrer essa doce criança que há em você,
Mas amadureça, no tempo certo, 

Para um dia contarmos á nossos filhos, depois á nossos netos,
Nossas estripulias, aventuras, brigas, e conciliações. 
    

Lou Reed- Perfect Day





Pela Luz dos Olhos Teus Tom Jobim (letra de Vinicius de Moraes)



Carlos Drummond de Andrade



 

                           
    

22 de out. de 2013

Californizando



Após acompanhar cinco temporadas de "Mad Men", estou assistindo outra assiduamente outra série, cujo nome é "Californication" que conta as loucuras de Hank Moody, um escritor tentando conciliar a vida profissional, familiar, e sair de uma crise de bloqueio mental, para voltar a escrever e se manter em Los Angeles.
Apesar de sentir grande amor pela mãe de sua filha, não consegue passar uma noite sem um rabo de saia diferente.
 Gosto da série porque me identifico com o protagonista. Um homem irônico, culto, semi-alcoólatra irresponsável, um homem que está afundando-se. Resumindo, um homem oco, tentando sair de uma cidade onde tudo cheira a sexo, drogas (lícitas ou não) e música alta.
 As temporadas vão passando, Hank se enroscando em problemas, e vemos como nossa sociedade torna os "artistas" máquinas de auto consumo, máquinas de ferrarem com suas próprias vidas, máquinas ocas.  




        "You Can't Always Get What You Want - Rolling Stones"

Marca a trilha sonora de Californication




15 de out. de 2013

Para Todos Nós

Esses dias eu estava ouvindo uma música do Chico Buarque cujo nome é "Paratodos". E agora eu fico pensando o quão bacana é a mistura cultural brasileira. 

"O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Meu maestro soberano
Foi Antonio Brasileiro
Foi Antonio Brasileiro
Quem soprou esta toada
Que cobri de redondilhas
Pra seguir minha jornada
E com a vista enevoada
Ver o inferno e maravilhas
Nessas tortuosas trilhas
A viola me redime
Creia, ilustre cavalheiro
Contra fel, moléstia, crime
Use Dorival Caymmi
Vá de Jackson do Pandeiro
Vi cidades, vi dinheiro
Bandoleiros, vi hospícios
Moças feito passarinho
Avoando de edifícios
Fume Ari, cheire Vinícius
Beba Nelson Cavaquinho
Para um coração mesquinho
Contra a solidão agreste
Luiz Gonzaga é tiro certo
Pixinguinha é inconteste
Tome Noel, Cartola, Orestes
Caetano e João Gilberto
Viva Erasmo, Ben, Roberto
Gil e Hermeto, palmas para
Todos os instrumentistas
Salve Edu, Bituca, Nara
Gal, Bethania, Rita, Clara
Evoé, jovens à vista
O meu pai era paulista
Meu avô, pernambucano
O meu bisavô, mineiro
Meu tataravô, baiano
Vou na estrada há muitos anos
Sou um artista brasileiro" 


Temos tanta coisa a ser valorizada que está cada vez mais sendo deixada para trás!

O samba de Noel Rosa, Cartola e Adoniran Barbosa, o chorinho, o baião, o xote, e até mesmo a MPB estão sendo perdidos. 

Isso faz parte da "BOA CULTURA" que me referi no último post, uma cultura de uma época em que todos tinham classe, e que até mesmo as pessoas de baixa renda se davam ao respeito. Uma cultura de um país que estava á todo vapor, combatendo a desigualdade, agregando valores. 
Um país que foi construído pelas mãos africanas, e depois as mãos nordestinas. E o nordeste que sempre foi o ponto de partida, de onde saíram pessoas fugitivas da fome,da miséria, misturaram a feijoada euro/africana, com a feijoada Ítala/Alemã do sul e do sudoeste. 

E tenho todo orgulho de dizer (ou escrever) que meus avós paternos eram pernambucanos,meus avós maternos paranaenses, e que sou um escritor, um escritor brasileiro! 



Paratodos, Chico Buarque


   















"Escorregando" de Ernesto Nazareth.
Essa música é considerada um "Tango Brasileiro",
Para mim, ela lembra uma polca. 





      














"Trem das Onze" de Adoniran Barbosa, um clássico do samba paulista.



















"Conversa de Botequim" de Noel Rosa.





















9 de out. de 2013

Orgulho de Ser Brasileiro

Estou aqui meus caros, para dizer em duas postagens o quanto gosto da cultura desse país, o quanto admiro e quero que a BOA CULTURA continue circulando. 
Esse comportamento é para mostrar as pessoas (principalmente amigos meus) que tenho um sentimento nacional, e que ele não estava escondido.

Fiz uma lista dos dez melhores filmes brasileiros (segundo meu gosto):


10- A Margem (1967)

Clássico escrito e dirigido por Ozualdo Candeias conta a história da pobre população que habitava a região da marginal tietê.





















9- A Meia Noite Levarei A Tua Alma (1963)

Grande sucesso do Mojica Marins (criador e interprete do Zé do Caixão). Uma aventura sádica, de um coveiro querendo gerar um filho perfeito.

  


















8- Deus e o Diabo Na Terra Do Sol (1964)

A odisseia de Manoel contra os latifundiários do sertão.








7- Meu Tio Matou Um Cara (2004)

Duca tenta provar a inocência de seu tio Éder, mas para isso vai se meter em várias confusões.


 















6- Nem Verdade Nem Mentira (1979)

Excelente curta metragem experimental de Jairo Ferreira.



















5- O Homem Que Copiava (2003)

As aventuras de André, rapaz gaúcho com o sonho de ficar rico, porém é um "operador de fotocopiadora" (tirador de xerox mesmo) e o sonho fica distante da realidade.


 

















4- O Alto Da Compadecida (2000)


Comédia sertaneja, sobre Chicó e João Grilo, dois malucos que vivem ficando ricos e pobres ao mesmo tempo. 




3- Meu Nome Não É Johnny  (2008)

Baseado em fatos reais, esse filme nos mostra a história de João Guilherme Estrella, um playboy que se tornou um dos maiores traficantes de droga do Brasil.




















2- Limite (1930)


Já foi comentado aqui no blog porque é sensacional mesmo! Filme mudo e experimental de Mário Peixoto. 




















1- O Bandido Da Luz Vermelha (1968)

Um monstro ou uma vítima do sistema? É essa a principal dúvida que o clássico do "Cinema Marginal" (que na verdade é mais experimental, e foi incompreendido na época) deixa no ar sobre o protagonista Jorge, o bandido da luz vermelha.

















O principal motivo desse post é mostrar que o cinema brasileiro é muito mais que a chanchada (ou pior, a "pornochanchada"). Ainda temos muitos filmes bons do cinema novo, do cinema experimental (ou undigrudi) e até mesmo atuais, como "O Magnata" ou "Tropa de Elite". Só basta nós valoriza-los e divulga-los da melhor forma possível. 


26 de set. de 2013

Tempo Ruim



Hoje foi um dia estranho... Esses tem sido dias estranhos. Os lençóis que em tão pouco tempo eram enlaçados a dois pares de pernas e serviram de ninho de amor, agora fedem á doença. O mesmo coração, sempre cheio dos absurdos noturnos, agora bate sozinho. Essas terríveis sensações não justificam o homem terrível que me tornei. Mas eu não sei controlar minha raiva muito menos conviver com a minha dor. A minha boa e velha garrafa de whiskey está o lado do meu Lucky Strike, e essa é única maneira de enfrentar todos os meus erros. 
Sempre achei isso impossível, afinal, eu respiro e cometo um erro, como enfrentá-los? Me auto destruindo com a minha máscara de ódio próprio. Seguindo a linha torta que todo homem oco traça, ao nascer, ao envelhecer, e ao morrer. Quero que chegue então o doce beijo da morte, pois agora "vi que a vida não é um fato consumado, nem o mundo um lugar pequeno, quero inventar meu próprio pecado, morrer do meu próprio veneno". Morrendo quero que meu corpo seja cremado, que minhas cinzas entrem na vida de outro homem oco como eu, porque continuarei esse homem nos meus filhos, em todas as palavras arrogantes que eu disse á alguém, em todos os meus vícios que eu escolhi carregar comigo.


"Fora o inverno e o tempo ruim eu não sei o que espera por mim"   









19 de set. de 2013

Mah Ná - Mah Ná!

ATENÇÃO

Essa postagem contém uma música extremamente viciante!
















Se você reconheceu as imagens ao lado, ou o título do post, parabéns, mas agora quero saber, você reconhece a origem dela?
Não? Então vou explicar.


"Mah Ná- Mah Ná" foi uma música composta pelo italiano Piero Umiliani, para a trilha sonora do documentário "Svezia, Inferno & Paradiso" (Suécia, Inferno & Paraíso) dirigido por Luigi Scattini, em 1968, época em que houve certa liberação sexual no país.
A canção ficou famosa algum tempo depois, quando foi usado em um quadro da "Sesame Street" (Versão original da "Vila Sésamo". Após isso foi criado uma versão para outra série infantil de TV americana "The Muppets Show".
Há também um pequeno trecho de "Mah-ná Mah-Ná" na música da Pato Fu chamada "Made In Japan". O ritmo já foi usado em diversos comerciais, o mais recente é o da rede de fast-food "Giraffas".




Mah-Ná Mah Ná Original

      




Versão "Sesame Street"






Muppets Show







Propaganda Giraffas








10 de set. de 2013

Episódios do Homem Oco Camponês

O sol arde, a paisagem parece a mesma e se mistura entre diferentes características. As plantações de cana e milho, os campos e campos verdes, o céu anil.
Chego até uma pequena vila e lá quase encontro o que eu quero.
Entro no pequeno bar, e o estabelecimento está lotado de olhos vermelhos, homens ocos como eu, que fogem da vida miserável e do trabalho árduo, se afogando na bebida transparente. Eu vou até o único cavalheiro sóbrio, o balconista, que nega ter o whiskey e o conhaque mas possuir cerveja nacional. Pego uma só para não deixá-lo sem graça e parto, até o centro da pequena cidade. 
Chego onde quero e bebo o que eu quero, volto para a minha passageira residência e fico quieto em isolação, já é noite. Fico admirando as belas coisas que nunca teríamos. As estrelas, o silêncio, as belas mulheres respeitáveis. O ar puro.
Consigo ouvir meus próprios pensamentos, dormir em paz e ser acordado pelo canto dos pássaros, cantando a doce sinfonia natural.


Episódios Matinais


Levanto tarde, vou até a pequena vila, agora em companhia de meu tio, que até esse momento eu conhecia pouco.
Vejo nele um homem oco como eu, mas que se arrepende e hoje aconselha ao sobrinho não desperdiçar a juventude.
Isso me deixa feliz, sou um homem limpo, respiro o doce perfume da mãe natureza e essa situação me inspiram a escrever poemas belos, sobre o amor verdadeiro que nunca senti, essas coisas cheias de açúcar, que mudam seu modo de viver. Percebo os benefícios dessa isolação, mas sinto falta, das agitações, dos problemas e da vida conturbada. Afinal, eu sou um homem oco e abandonar o que me faz bem é o meu dia-a-dia.


     


        

1 de set. de 2013

Non Preoccupatevi Figlio! La Vita è Bella!
















Não só um dos melhores filmes italianos que já assisti, mas um dos melhores do mundo. Não só porque ganhou alguns Oscar's mas por ter sido construído de uma forma emocionante, um filme belo, que você chora só de pensar na história. 
É muito curioso a maneira que a comédia e o drama seguem uma linha muito tênue entre as palhaçadas de Guido (protagonista) com a situação de Dora (futura esposa dele) e depois os acontecimentos durante o filme.
Outra coisa que me encantou foi a trilha sonora composta por Nicola Piovani... É tão suave, comovente e as vezes intensa, para acompanhar o ritmo de uma vida bela!   


Trailer 






Trilha Sonora






23 de ago. de 2013

Coisas que só os Homens Ocos provarão

Peço desculpas por ter ficado quase um mês sem postar, mas o tempo está encurtando e minhas tarefas aumentando.
Hoje, quero passar á vocês uma crônica ou conto (entendam como quiserem) que fiz nesse tempo de isolação virtual.



Coisas que só os Homens Ocos provarão


"Falo-lhes de uma época, em que a perfeição se misturava entre a silhueta feminina e a fumaça produzida por um maço de Lucky Strike. Um tempo em que beber amar e acreditar em Deus se tornava a mesma coisa. Pois nunca se discutia nenhum desses assuntos, nós todos os tínhamos dentro de nós e ficavam ali escondidos por debaixo dos panos. Ser rico era uma grande tolice, não dava pé, não ao nosso estilo de vida, miserável o suficiente para ter o whiskey e o cigarro de cada dia. E os pequenos quartos na Vila Mariana e os banheiros de bares na Vila Madalena, que me serviram de ninho de amor hoje são habitados por outros casais de pessoas ocas, que iam e vão lá para se embebedar e se inspirar, perder o controle e brincar de ser feliz.  Coisas que o homem bom nunca provará, ele é o homem bom e não recorre á essas idiotices que formaram o homem moderno e contemporâneo.   
Ainda me lembro do ateliê de uma garota francesa, cheio pinturas abstratas e uma coleção de filmes da Nouvelle Vague e do Underground. Eu peguei todos eles emprestados em busca de algum conceito, mas não consegui, partindo do pressuposto que eu não era bom nisso inventei o que chamariam de experimentalismo na literatura, juntando elementos da minha viagem ao mundo das plantas, junto com certo empirismo boêmio, traduzi os meus roteiros e meus sentimentos ruins numa crônica cheia de palavras sem sentido que se constroem á partir das lembranças, cuja quais constroem meu passado, e uma época em que existir era questão de ignorar os prazeres em volta, ou de se matar pouco á pouco." 

24 de jul. de 2013

We Are The Mad Men!


























Comecei a assistir á série americana "Mad Men" via uma belezinha chamada "Netflix". 
Mad Men é uma série sobre Don Draper, um dos maiores publicitários da New York dos anos 60. Ele, trabalha na agência de publicidade "Sterling Cooper" durante as 3 primeiras temporadas, já na quarta, ele ajuda a fundar a "Sterling Cooper Draper Pryce".
A minha única reação ao ouvir "A Beautiful Mine", de RJD2 (música de introdução) é um imenso prazer e tamanha alegria de assistir uma série tão bem feita e bem construída narrativamente. Os diretores de arte da série exploraram o máximo da moda dos anos 60. Mad Men foi um seriado muito premiado e parodiado, o desenho "The Simpsons" fez uma imitação da intro do seriado. Há algumas imagens na internet com outros protagonistas no lugar de Don também.
O que mais me amarra as aventuras de Draper, é toda a especulação histórica que há em todos episódios, mas isso é muito complexo para se escrever, e só entendemos vendo.
A trama fica cada vez mais interessante, quando uma nova mentira é descoberta, quando um outro  drink é tomado ou um outro cigarro é aceso por um daqueles homens ou uma daquelas mulheres, ambos cheios de glamour, bela postura e corpos saudáveis... Realmente, já que o slogan do seriado é "Where The Truth Lies" os criadores conseguiram pegar toda a beleza e toda miséria dos anos 60, que em consequência construíram os 80, sim, Don é um alcoólatra, pai ausente, deixou 3 filhos para a sociedade, essa cresceu fugindo dos horrores da Guerra Fria se jogando em todos tipos de vício. 
Há quem veja Mad Men só por curiosidade, já eu, assisto pra entender os antecedentes da formação de toda essa sujeira e mentira, que manipula as grandes corporações, as mídias, e a população. 


                                                         Introdução Original:



Comparação, Parodia e Original.
    




16 de jul. de 2013

Viva Aznavour!

        


Até agora não vi nenhum outro francês fazer o que ele fez, mais de 65 anos de carreira como cantor e ator e não uma carreira qualquer... Mais de 60 filmes (o de estréia foi dirigido por Traffaut)sem contar as quase 850 letras e músicas. 
Conheci esse lorde graças á um toca-vinil de grande um amigo. Alguns meses depois eu estava assistindo o grande filme canadense "C.R.A.Z.Y Loucos de Amor" ouvi frequentemente os clássicos "Emmenez-Moi" "Hier Encore", e meus amigos, não há melhor satisfação do que ouvir uma bela música que deixa o filme mais belo ainda.
Outro grande sucesso do Charles (na verdade só fez sucesso mesmo na Inglaterra)é "She", sim sim, esta música foi feita por ele e a versão em inglês foi feita por Elvis Costello em 1999. 
Mas agora, qual o sentido de tudo isso? Porque será que estou escrevendo sobre ele? Eis a resposta:
Como é de costume, eu adoro fazer um poema baseado em algum outro, ou escrever sobre uma determinada situação. Abaixo você pode conferir minhas singelas brincadeiras de palavras:

"Levem-me (Parte I)"  
(Baseado em Emmenez-moi)      
  
Em um canto do Polo Da Alegria,
Troquei uma tarde vazia, 
Para encontrar meus amigos boêmios,

Então a liberdade fluiu,
Uma dose á mais de whiskey desceu,

E você para mim sorriu,
Me paquerando, e observando como um perdigueiro,

De um modo sorrateiro 
Me seduziu,
Fazendo-me esquecer tudo o que me incomoda,

Oh minha francesa,
Afogue minhas mágoas e esconde toda tristeza,
Oh meus amigos, levem-me até o próximo bar,
Pois debaixo de tanta vaidade,
Minha miserável vida, não consigo enxergar!

Aparece bela ocasião,
Para viajar pelo velho mundo,
Dentro do avião,
Conheci outro homem oco,

Ele disse que voltava para a Inglaterra,
Pois estava cansado de viver sem as garotas,
De tal fabulosa terra, 

Resolvi descobrir se o rapaz tinha mesmo razão,
E aprendi a não confiar nos ingleses,
Fui direto para a Holanda,
Coisa que preciso fazer mais vezes,

Oh minha garota dos Países-Baixos,
Leve-me á terra dos chapados,
Oh meus amigos, levem-me á vila dos brisados,
Pois não consigo ver meus miseráveis dias,
Sob tanta vaidade!        

Levem-me onde não existe verdade,
Levem-me ao centro da cidade,
Pois não quero assumir,
As minhas miseráveis consequências!   


"Levem-me (Parte II)"

Eu lá estava,
Um garoto que se sonhava cineasta e escritor,
Envolvido numa discussão, entre um roteirista e um diretor,
Quem é melhor? Glauber Rocha, ou Rogério Sganzerla?

De repente estávamos em plena Boca do Lixo, 
Pra mostrar aos glauberianos, 
O melhor lado do "Cinema de Invenção",
Eles então desistiram,

No meio da comemoração, 
Tivemos copos, garotas, 
Mas como sou morador suburbano,
Fui obrigado a voltar para o meio da falta de cultura e pra solidão,

Levem-me aos bairros da boêmia,
Levem-me aos bairros da alegria,
Pois tenho certeza, 
Que sou mais feliz em volta daquela mesa!

Fui á uma reunião em plena Vila Mariana,
Bebemos, escrevemos e nos divertimos,
Conheci uma senhorita cujo nome era Ana,

Passamos a tarde com vinho, 
A noite, ela me empurrou pra cama,
Me encheu de carinho, 
Dizendo que me ama     

Eu poderia estar até hoje lá,
Mas minha idiotice é forte,
E depois o que me restou,
Foi reclamar da sorte,

Logo após esse episódio,
Me afoguei nos mares do álcool,
Hoje em dia estou limpo desse ódio,
Mas aqueles foram tempos terríveis, 

Vivendo isolado,
Num bairro arrasado,
Pela criminalidade,
E pela falta de bom censo,

Levem-me ao centro de tratamento,
Levem-me á um lugar onde eu possa me consertar,
Pois nesse castigo de isolamento,
Minha vida mais miserável vai ficar!

                * * *  
          
"Ainda Ontem " 
(Baseada em "Hier Encore") 

Ainda ontem,
Eu estava em minha Belle-Époque,
Saltitando pela selva de pedra,
Em busca do rio da embriaguez,
Esgotando-no de uma só vez,

Desmatando a floresta da erva,
Achando que isso me traria algo de especial,
E no final,
Só me trouxe o desespero e a doença,

Ainda ontem, fiz planos de papel,
Façanhas que até hoje me envergonham,
Sonhos que se despedaçam pelo ar,
Idiotices que só me desonram,

Ainda ontem, eu estava em minha Belle-Époque,
Mas a perdi, fazendo tudo com ignorância,
E tratando á todos e tudo com arrogância,

Ignorando o passado,
Cuspindo no futuro,
Tornando o presente um fardo,

Criticando o mundo,
Fingindo ser um homem de opinião,
Argumentando como um sábio de verdade,
E esquecendo-me de respeitar a relatividade da razão,    

Ainda ontem, eu estava em minha Belle-Époque,
Mas joguei tudo pro alto,
Com uma série de falsos prazeres,
Que só me deram problemas,  

Porque meus verdadeiros amores acabaram mesmo antes de começarem,
Meus amigos boêmios foram achar garrafas pra se embebedarem,

Eu me isolei,
Para deixar minha cabeça no lugar em que deixei,

E agora, e agora,
Onde está minha Belle-Époque?





                             Hier Encore






Emmenez-moi



She



Lá Bohéme


E como é de costume, uma foto pra encerrar com chave de ouro: