23 de ago. de 2013

Coisas que só os Homens Ocos provarão

Peço desculpas por ter ficado quase um mês sem postar, mas o tempo está encurtando e minhas tarefas aumentando.
Hoje, quero passar á vocês uma crônica ou conto (entendam como quiserem) que fiz nesse tempo de isolação virtual.



Coisas que só os Homens Ocos provarão


"Falo-lhes de uma época, em que a perfeição se misturava entre a silhueta feminina e a fumaça produzida por um maço de Lucky Strike. Um tempo em que beber amar e acreditar em Deus se tornava a mesma coisa. Pois nunca se discutia nenhum desses assuntos, nós todos os tínhamos dentro de nós e ficavam ali escondidos por debaixo dos panos. Ser rico era uma grande tolice, não dava pé, não ao nosso estilo de vida, miserável o suficiente para ter o whiskey e o cigarro de cada dia. E os pequenos quartos na Vila Mariana e os banheiros de bares na Vila Madalena, que me serviram de ninho de amor hoje são habitados por outros casais de pessoas ocas, que iam e vão lá para se embebedar e se inspirar, perder o controle e brincar de ser feliz.  Coisas que o homem bom nunca provará, ele é o homem bom e não recorre á essas idiotices que formaram o homem moderno e contemporâneo.   
Ainda me lembro do ateliê de uma garota francesa, cheio pinturas abstratas e uma coleção de filmes da Nouvelle Vague e do Underground. Eu peguei todos eles emprestados em busca de algum conceito, mas não consegui, partindo do pressuposto que eu não era bom nisso inventei o que chamariam de experimentalismo na literatura, juntando elementos da minha viagem ao mundo das plantas, junto com certo empirismo boêmio, traduzi os meus roteiros e meus sentimentos ruins numa crônica cheia de palavras sem sentido que se constroem á partir das lembranças, cuja quais constroem meu passado, e uma época em que existir era questão de ignorar os prazeres em volta, ou de se matar pouco á pouco." 

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