Meu caro amigo Pedro é um rapaz que vive pensando, e
ás vezes esquece-se dos assuntos práticos para viver no mundo da lua. Não que isso
seja uma coisa ruim, mas o bicho ta pegando na casa dele e parece que, bom
pobre Pedro, nem liga pra isso!
O maior prazer dele era levar os amigos para
sua casa, beber, fumar e debater literatura, porém sua amada, Maria Rosa não
gostava nem um pouco, vira e mexe Pedro era convocado á cozinha e podíamos ouvir:
“Esses
indecentes vem comer do nosso pão e encher a casa de fumaça, tire-os daqui ou
saio eu!”
Então nossa festinha mudava de endereço, íamos
ao bar mais próximo. Sempre pagávamos a conta, Pedro nunca tinha dinheiro, não
trabalhava muito, pois achava que conseguia viver com os seus livros e algumas
aulas de eventual numa escola do estado. Sempre avisávamos:
“Pedro,
ajeita o terno e vá arrumar um emprego... Pedro, não da pra viver com o que se
escreve, todo mundo aqui trabalha...”
Mas não adiantava, Pedro insistia em viver
naquela paranóica e doce ilusão de que a vida é feita para se viver e não para
ter luxos, o básico estava de bom tamanho... Mas nem isso Pedro conseguia
garantir, faltava arroz e feijão, luxo era comer carne!
Acontece que Maria Rosa, já cansada dessa vida
resolveu ela mesma ir atrás de emprego, conseguiu uma vaga de auxiliar
administrativa numa empresa grande na Av. Paulista.
Certo dia estávamos reunidos na casa de Pedro
fazendo o que era de costume e então Maria chegou, exausta, arrasada e
desiludida e quando viu aquela fumaçada, as garrafas vazias e os filhos com
fome os olhos dela encheram-se de lágrimas, não se sabe se eram de tristeza ou
de indignação, só sabemos que após aquele dia Pedro saiu de casa, e agora vive
uma vida mal vivida, sem amor de esposa ou de filhos, só espera o perdão, o
emprego, e os anos de glória, mesmo sem perceber que isso tudo já se foi.