24 de jun. de 2014

Paulistana Cabra da Peste

Quando faltou água 
E o Cantareira se secou,
Quando a barba cresceu e a responsabilidade me chamou,

Foi ai que me mandei,
Meu subúrbio tive que deixar,
Minha pequena também...

Quando os marmanjos só pensavam em ostentar,
Quando a mãe tinha conta pra pagar,
Tornou-se a verdadeira guerreira...
Paulistana cabra da peste 
Sim seu doutô,

Mais macho que muito playboy 
Sim sinhô,
Mais delicada do que princesa das terra gelada
Sim patrão.


Quando o sol raia no céu,
Quando o relógio desperta,
Lá se vão elas pro trem,
Atravessar a cidade, e garantir o pão de cada dia.


Paulistana cabra da peste
Sim seu doutô.

Quando a chuva cai brarba,
Quando as talbua e os telhado avuam,
Lá vai a trabalhadora de verdade,
Martelar,
Quando a noite chega
Quando as crias pedem o que rangar,
Lá vai a verdadeira mãe,
Cozinhar,lavar,passar,cuidar.

Paulistana cabra da peste
Sim seu doutô! 

22 de jun. de 2014

Protestos

Andando perdido pela cidade,
Sem crédito no bilhete
E nem um real no bolso 
Eu irei!

O Sol ilumina o Planalto,
O Itaquerão 
e a Careca do Sr. Senadores,

Entre bandeiras
Crianças descalças jogam bola,
O político continua roubando,
O americano continua espionando,


Em fotos de torturados,
A lembrança se consola,

Entre senhores negligentes,
Vaias ao francês 
E á Presidenta!

O sol brilha para os elististas,
Em toda TV, revista ou banca de jornal.

Eu irei,
Por entre trens lotados,
Tráfico de haitianos,
E padres pedófilos,

Sem bandeira 
Sem pátria, 
Eu irei!
Porque será? Porque será?

Ela fala de namorar sério,
E eu vou mal na ETEC,
Sem metrô, sem crédito no bilhete,
Mal eu consigo chegar na ETEC.

Eu não gosto nem de Jack Daniel's,
E ela fala o que é da moda,
Eu tomo uma cachaça,
E ela fala de namorar sério,

Eu irei!
Por entre cracudos e governadores ditadores,
Sem máscara sem roupa preta,
Sem religião, sem capital,
Para o coração financeiro municipal!

"Ela nem sabe que eu estava lá"
De fato, eu pensei,
Pois o Sol não brilha no lado leste da cidade,
Nem no extremo norte ou sul,
Pergunte para os moradores do Itaim Pta.
Da Vila Brasilândia, ou do Grajaú!

Eu irei!
Sem dinheiro que não tenho,
Eu irei!
Com a minha voz, com meu direito e um cartaz!

Eu irei,
Porque será? Porque será?
Porque será? Porque será?
 
 
 

19 de jun. de 2014

Meu Caro Amigo

 Nunca entendi o motivo das pessoas falarem que sou parecido com Chico Buarque, tanto na aparência como na forma de escrever, acho que falta muito pra que eu chegue ao menos nos pés dele. 
 E hoje o grande Mr. Hollanda completa 70 anos, conhecido pela poesia musicada, por enganar a ditadura e fazer parte da história da MPB, o mito  Francisco Buarque de Hollanda, parente de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (o que fundou o dicionário com o mesmo nome).
 Desde pequeno ouço as músicas dele e cada dia que passa fico mais maravilhado com a geniosidade que ele tem pra escrever, descrever e falar sobre as questões politicas tanto quanto das coisas do coração. Outras obras do Chico também me chamam atenção, por exemplo algumas de suas peças teatrais como "A Ópera do Malandro" (que também ganhou uma versão no cinema) ou "Calabar: o Elogio da Traição". 
 Desejo um feliz aniversário pro Chico e deixo vocês com uma lista de algumas das minhas músicas favoritas dele:






  










18 de jun. de 2014

Medo da fúria paranoica

 Agora a vida pode ser resumida 
Por dois sentimentos.

O de fúria e o de medo.
Temos fúria do politico,
E depois temos medo do blackblock que quer derrubar o capitalismo,
Para tal façanha ele protesta esbanjando fúria.

Então temos fúria do blackblock,
Pois ele depositou sua fúria no transporte público
Do qual precisamos.

Então temos medo de viver numa ditadura interminável, 
Ao mesmo tempo que possuímos ódio da democracia mal administrada.


Para melhorar essa tal democracia
Temos o direito de protestar.
Quando menos esperemos sentimos fúria dos metroviários 
E todos os grevistas relacionados á transporte,
Que reivindicam seus direitos, afinal vivem numa democracia;

O politico com medo de não ser popular 
Luta por alguma melhoria básica em qualquer área social.

Isso é uma coisa muito louca,
Mas meu medo particular 
é o da paranoia.

Paranoia não é endoidar,
Pois doido já sou,
Paranoia é morrer de medo de amar.

É a fúria de não ser correspondido,
  É o medo de se viciar nos males urbanos,
E esquecer que no peito um coração bate.

16 de jun. de 2014

Vida Sobrevivida

Ora já me disseram
Que a vida é feita de alegrias
Lágrimas ruínas e superações.

Há quem diga também 
Que sou menino demais e não sei viver

Mas quem fala que aprendeu a viver,
Não sabe a diferença entre respirar e sobreviver.

Olho em volta esse povo 
Carcomido iludido e descontrolado.

Tenho dó daquele povo de nariz em pé
E ainda mais daquela gente que vive ás beras
Que se diz rica só porque tem fé.

Não sou homem de crendices,
E não sei o que é orar 
Mas graças á minha razão 
Estou aqui há 15 anos em pé.

Nas costas a responsabilidade 
No coração o sofrimento 
E para aqueles que acham a vida tão complexa de se viver
Carrega um pouquinho disso que eu quero ver. 

Há um ditado que promovo,
"Macaco senta no rabo dele pra falar mal do rabo do outro"
Então quem não quer viver os problemas todos de novo,
Não falem mal de mim.

Pois a boêmia cura as minhas dores,
O trabalho e esforço são regras,
A sobrevivência faz parte,
E vivência só acumula experiência e amores.

15 de jun. de 2014

Resiliência

Você não liga para mim,
Talvez finge ligar,
Você sabe disso,
Você sabe que eu não iria me importar.

Eu escrevo poemas,
E você sabe pra quem eles são;


Eu poderia repetir seu nome um milhão de vezes
Poderia enlouquecer de pensar em você
Mas isso não iria te trazer pra mim

Não significa nada
Pois eu não me importo.

Você tem alguém,
Tem muitos alguém
Eu tenho também.

Mas do que adianta?
Gostar de não gosta de mim.

Peguei um trem, viajei,
Não quero você na minha vida,
Você me faz pensar tudo errado.


Eu poderia chorar como um tolo,
Eu poderia me jogar no vício.
Mas nem aquilo á que me entrego
Traz felicidade.

E aqueles outros que te beijaram,
Foram homens de sorte
Homens da conquista 
Que pra mim é inexistente.

Quando me aproximo
Ela se afasta.
Quando ela me da esperança,
Algo da errado,
Você me faz pensar as coisas da nossa relação 
De um jeito errado.

Resiliência me desanima.