Até agora não vi nenhum outro francês fazer o que ele fez, mais de 65 anos de carreira como cantor e ator e não uma carreira qualquer... Mais de 60 filmes (o de estréia foi dirigido por Traffaut)sem contar as quase 850 letras e músicas.
Conheci esse lorde graças á um toca-vinil de grande um amigo. Alguns meses depois eu estava assistindo o grande filme canadense "C.R.A.Z.Y Loucos de Amor" ouvi frequentemente os clássicos "Emmenez-Moi" e "Hier Encore", e meus amigos, não há melhor satisfação do que ouvir uma bela música que deixa o filme mais belo ainda.
Outro grande sucesso do Charles (na verdade só fez sucesso mesmo na Inglaterra)é "She", sim sim, esta música foi feita por ele e a versão em inglês foi feita por Elvis Costello em 1999.
Mas agora, qual o sentido de tudo isso? Porque será que estou escrevendo sobre ele? Eis a resposta:
Como é de costume, eu adoro fazer um poema baseado em algum outro, ou escrever sobre uma determinada situação. Abaixo você pode conferir minhas singelas brincadeiras de palavras:
"Levem-me (Parte I)"
(Baseado em Emmenez-moi)
Troquei uma tarde vazia,
Para encontrar meus amigos boêmios,
Então a liberdade fluiu,
Uma dose á mais de whiskey desceu,
E você para mim sorriu,
Me paquerando, e observando como um perdigueiro,
De um modo sorrateiro
Me seduziu,
Fazendo-me esquecer tudo o que me incomoda,
Oh minha francesa,
Afogue minhas mágoas e esconde toda tristeza,
Oh meus amigos, levem-me até o próximo bar,
Pois debaixo de tanta vaidade,
Minha miserável vida, não consigo enxergar!
Aparece bela ocasião,
Para viajar pelo velho mundo,
Dentro do avião,
Conheci outro homem oco,
Ele disse que voltava para a Inglaterra,
Pois estava cansado de viver sem as garotas,
De tal fabulosa terra,
Resolvi descobrir se o rapaz tinha mesmo razão,
E aprendi a não confiar nos ingleses,
Fui direto para a Holanda,
Coisa que preciso fazer mais vezes,
Oh minha garota dos Países-Baixos,
Leve-me á terra dos chapados,
Oh meus amigos, levem-me á vila dos brisados,
Pois não consigo ver meus miseráveis dias,
Sob tanta vaidade!
Levem-me onde não existe verdade,
Levem-me ao centro da cidade,
Pois não quero assumir,
As minhas miseráveis consequências!
"Levem-me (Parte II)"
Eu lá estava,
Um garoto que se sonhava cineasta e escritor,
Envolvido numa discussão, entre um roteirista e um diretor,
Quem é melhor? Glauber Rocha, ou Rogério Sganzerla?
De repente estávamos em plena Boca do Lixo,
Pra mostrar aos glauberianos,
O melhor lado do "Cinema de Invenção",
Eles então desistiram,
No meio da comemoração,
Tivemos copos, garotas,
Mas como sou morador suburbano,
Fui obrigado a voltar para o meio da falta de cultura e pra solidão,
Levem-me aos bairros da boêmia,
Levem-me aos bairros da alegria,
Pois tenho certeza,
Que sou mais feliz em volta daquela mesa!
Fui á uma reunião em plena Vila Mariana,
Bebemos, escrevemos e nos divertimos,
Conheci uma senhorita cujo nome era Ana,
Passamos a tarde com vinho,
A noite, ela me empurrou pra cama,
Me encheu de carinho,
Dizendo que me ama
Eu poderia estar até hoje lá,
Mas minha idiotice é forte,
E depois o que me restou,
Foi reclamar da sorte,
Logo após esse episódio,
Me afoguei nos mares do álcool,
Hoje em dia estou limpo desse ódio,
Mas aqueles foram tempos terríveis,
Vivendo isolado,
Num bairro arrasado,
Pela criminalidade,
E pela falta de bom censo,
Levem-me ao centro de tratamento,
Levem-me á um lugar onde eu possa me consertar,
Pois nesse castigo de isolamento,
Minha vida mais miserável vai ficar!
* * *
"Ainda Ontem "
(Baseada em "Hier Encore")
Ainda ontem,
Eu estava em minha Belle-Époque,
Saltitando pela selva de pedra,
Em busca do rio da embriaguez,
Esgotando-no de uma só vez,
Desmatando a floresta da erva,
Achando que isso me traria algo de especial,
E no final,
Só me trouxe o desespero e a doença,
Ainda ontem, fiz planos de papel,
Façanhas que até hoje me envergonham,
Sonhos que se despedaçam pelo ar,
Idiotices que só me desonram,
Ainda ontem, eu estava em minha Belle-Époque,
Mas a perdi, fazendo tudo com ignorância,
E tratando á todos e tudo com arrogância,
Ignorando o passado,
Cuspindo no futuro,
Tornando o presente um fardo,
Criticando o mundo,
Fingindo ser um homem de opinião,
Argumentando como um sábio de verdade,
E esquecendo-me de respeitar a relatividade da razão,
Ainda ontem, eu estava em minha Belle-Époque,
Mas joguei tudo pro alto,
Com uma série de falsos prazeres,
Que só me deram problemas,
Porque meus verdadeiros amores acabaram mesmo antes de começarem,
Meus amigos boêmios foram achar garrafas pra se embebedarem,
Eu me isolei,
Para deixar minha cabeça no lugar em que deixei,
E agora, e agora,
Onde está minha Belle-Époque?
Hier Encore
Emmenez-moi
She
Lá Bohéme
E como é de costume, uma foto pra encerrar com chave de ouro:


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