18 de mar. de 2014

Uma História de Boêmia Paulistana

 Mude o cenário, mas não a cidade. Nosso caro homem oco agora se aventura e explora não a Vila Mariana, mas sim o Belém.
 Provando as belas sensações já aqui descritas. Sentado em um bar de esquina, Rua Herval com a Doutor Clementino ele observa os transeuntes. Duas senhoras muçulmanas passam levando um carrinho de bebê. Depois um casal boliviano (possivelmente, é o estereótipo da região). É um lugar muito diversificado, sem falar nos italianos, e outros "misturados" da região. 
 Mas o motivo do nosso amigo estar ali é justamente uma descendente de italiana, nesse momento ela vem direção do homem oco, ele, com sua classe boêmia, malandragem suburbana, convida a moça á acompanha-lo, acende um cigarro para ela. Conversam, riam, entre sorrisos e piscadelas a mulher joga-se aos braços dele.  Correm até a estação, fogem para o Tatuapé, cujo bairro é onde ela mora. Atravessam as ruas e chegam no condomínio, e entre as barreiras até o apartamento dela e ali entrelaçam-se e amassam-se como um casal em lua de mel.  
 Conheceram-se fazia alguns meses, no metrô, numa daquelas situações de aperto em que o rapaz segura a moça, pois ela é pequena e não acha lugar pra segurar. A mágica aconteceu ali. Conversaram, trocaram telefone e bom, lá estavam. 
Agora voltemos ao apartamento. Ela ainda deitada admira o homem oco vestindo-se, ajeitando o blazer, dando um tapa no topete. Aquilo tudo para ele, só mais uma mulher semi-deusa que levava para a cama. Para a semi-deusa, bom, só mais uma celebração á Dionísio, coisa rotineira.
 Nosso protagonista sai daquele local pensando "Não acredito, 23 horas ainda? Esse sábado não pode acabar assim". E não acabou. Correu até a estação, foi até a Sé, de lá foi até a Luz, de lá, desceu na Ana Rosa. Sim, aquela região da Vila Mariana onde aventuras e absurdos aconteceram. 
 Entra num bar muito frequentado por amigos antigos, senta no balcão e ao seu lado um companheiro de muitas guerras, Pedro O Jornalista. 
- Boa noite. Mr Hollow Man.
- Boa noite meu amigo Pedro. Como vai o cavalheiro?
- Andando. Aproveitando o sábado para fugir da família e beber um pouco. E o senhor?
- Bem... Lembrando algumas aventuras.
- Ah, nossas aventuras... 
- Poderíamos aproveitar a ocasião, comemorar com aquelas senhoritas ali naquela mesa.
- Não temos mais 25 anos, dez passaram-se, eu casei e tenho filhos.
- Ora, uma vez na vida não faz mal. 
- Essa é a vida que planejei, que lutei pra ter, não vou estragá-la por uma noite de potrancas e bebidas caras. 
- Tudo bem então, vá pra sua vida. 
 Pedro levantou-se, pagou a conta, pegou uma caneta, um guardanapo e escreveu nele: " a vida não é feita só de prazeres carnais". E realmente não era, o homem oco sabia muito bem disso, ouviu e assistiu essa lição fazia anos. Foi criado na pobreza e humildade, e aprendeu o quão batalhador deveria ser para chegar em grandes altitudes. 
 Voltou para o apartamento da senhorita descendente de italianos, antes que o sistema metropolitano de transporte fechasse. 
 No outro dia voltou ao Brás ( bairro que aconteceram outras coisas incríveis). Tomou o trem, o bom e velho trem suburbano para voltar para casa. Se tinha uma coisa que admirava ali era a cachaça barata, o povo honesto e trabalhador, e tinha orgulho de ser dali, foi ali que aprendeu tudo o que precisava, para torna-se um homem oco.

                                 
                          
Estação Itaim Paulista
Extremo Leste






  

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