19 de jun. de 2014

Meu Caro Amigo

 Nunca entendi o motivo das pessoas falarem que sou parecido com Chico Buarque, tanto na aparência como na forma de escrever, acho que falta muito pra que eu chegue ao menos nos pés dele. 
 E hoje o grande Mr. Hollanda completa 70 anos, conhecido pela poesia musicada, por enganar a ditadura e fazer parte da história da MPB, o mito  Francisco Buarque de Hollanda, parente de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (o que fundou o dicionário com o mesmo nome).
 Desde pequeno ouço as músicas dele e cada dia que passa fico mais maravilhado com a geniosidade que ele tem pra escrever, descrever e falar sobre as questões politicas tanto quanto das coisas do coração. Outras obras do Chico também me chamam atenção, por exemplo algumas de suas peças teatrais como "A Ópera do Malandro" (que também ganhou uma versão no cinema) ou "Calabar: o Elogio da Traição". 
 Desejo um feliz aniversário pro Chico e deixo vocês com uma lista de algumas das minhas músicas favoritas dele:






  










18 de jun. de 2014

Medo da fúria paranoica

 Agora a vida pode ser resumida 
Por dois sentimentos.

O de fúria e o de medo.
Temos fúria do politico,
E depois temos medo do blackblock que quer derrubar o capitalismo,
Para tal façanha ele protesta esbanjando fúria.

Então temos fúria do blackblock,
Pois ele depositou sua fúria no transporte público
Do qual precisamos.

Então temos medo de viver numa ditadura interminável, 
Ao mesmo tempo que possuímos ódio da democracia mal administrada.


Para melhorar essa tal democracia
Temos o direito de protestar.
Quando menos esperemos sentimos fúria dos metroviários 
E todos os grevistas relacionados á transporte,
Que reivindicam seus direitos, afinal vivem numa democracia;

O politico com medo de não ser popular 
Luta por alguma melhoria básica em qualquer área social.

Isso é uma coisa muito louca,
Mas meu medo particular 
é o da paranoia.

Paranoia não é endoidar,
Pois doido já sou,
Paranoia é morrer de medo de amar.

É a fúria de não ser correspondido,
  É o medo de se viciar nos males urbanos,
E esquecer que no peito um coração bate.

16 de jun. de 2014

Vida Sobrevivida

Ora já me disseram
Que a vida é feita de alegrias
Lágrimas ruínas e superações.

Há quem diga também 
Que sou menino demais e não sei viver

Mas quem fala que aprendeu a viver,
Não sabe a diferença entre respirar e sobreviver.

Olho em volta esse povo 
Carcomido iludido e descontrolado.

Tenho dó daquele povo de nariz em pé
E ainda mais daquela gente que vive ás beras
Que se diz rica só porque tem fé.

Não sou homem de crendices,
E não sei o que é orar 
Mas graças á minha razão 
Estou aqui há 15 anos em pé.

Nas costas a responsabilidade 
No coração o sofrimento 
E para aqueles que acham a vida tão complexa de se viver
Carrega um pouquinho disso que eu quero ver. 

Há um ditado que promovo,
"Macaco senta no rabo dele pra falar mal do rabo do outro"
Então quem não quer viver os problemas todos de novo,
Não falem mal de mim.

Pois a boêmia cura as minhas dores,
O trabalho e esforço são regras,
A sobrevivência faz parte,
E vivência só acumula experiência e amores.

15 de jun. de 2014

Resiliência

Você não liga para mim,
Talvez finge ligar,
Você sabe disso,
Você sabe que eu não iria me importar.

Eu escrevo poemas,
E você sabe pra quem eles são;


Eu poderia repetir seu nome um milhão de vezes
Poderia enlouquecer de pensar em você
Mas isso não iria te trazer pra mim

Não significa nada
Pois eu não me importo.

Você tem alguém,
Tem muitos alguém
Eu tenho também.

Mas do que adianta?
Gostar de não gosta de mim.

Peguei um trem, viajei,
Não quero você na minha vida,
Você me faz pensar tudo errado.


Eu poderia chorar como um tolo,
Eu poderia me jogar no vício.
Mas nem aquilo á que me entrego
Traz felicidade.

E aqueles outros que te beijaram,
Foram homens de sorte
Homens da conquista 
Que pra mim é inexistente.

Quando me aproximo
Ela se afasta.
Quando ela me da esperança,
Algo da errado,
Você me faz pensar as coisas da nossa relação 
De um jeito errado.

Resiliência me desanima. 

30 de mar. de 2014

Ilha Das Flores

 Jorge Furtado é um grande diretor e roteirista brasileiro, entre os tantos trabalhos bem sucedidos de bilheteria ou de crítica, um dos que mais admiro é o documentário "Ilha Das Flores". Uma produção incrível critica a falta de compaixão humana. 
  O impacto é logo de começo:

  "Isto não é um filme de ficção;
   Existe um lugar chamado Ilha Das Flores;
   Deus não existe."

Depois:
(Narrador)
"Cristo era um judeu;  (imagem de Jesus)
" Os judeus possuem o 
telencéfalo altamente 
desenvolvido 
e o polegar opositor. 
São, portanto,seres humanos."   (imagens do Holocausto)


Uma obra realmente magnifica, dinâmica, e aclamada internacionalmente. O cinema brasileiro merece mais Jorges Furtados.

Ilha das Flores





18 de mar. de 2014

Uma História de Boêmia Paulistana

 Mude o cenário, mas não a cidade. Nosso caro homem oco agora se aventura e explora não a Vila Mariana, mas sim o Belém.
 Provando as belas sensações já aqui descritas. Sentado em um bar de esquina, Rua Herval com a Doutor Clementino ele observa os transeuntes. Duas senhoras muçulmanas passam levando um carrinho de bebê. Depois um casal boliviano (possivelmente, é o estereótipo da região). É um lugar muito diversificado, sem falar nos italianos, e outros "misturados" da região. 
 Mas o motivo do nosso amigo estar ali é justamente uma descendente de italiana, nesse momento ela vem direção do homem oco, ele, com sua classe boêmia, malandragem suburbana, convida a moça á acompanha-lo, acende um cigarro para ela. Conversam, riam, entre sorrisos e piscadelas a mulher joga-se aos braços dele.  Correm até a estação, fogem para o Tatuapé, cujo bairro é onde ela mora. Atravessam as ruas e chegam no condomínio, e entre as barreiras até o apartamento dela e ali entrelaçam-se e amassam-se como um casal em lua de mel.  
 Conheceram-se fazia alguns meses, no metrô, numa daquelas situações de aperto em que o rapaz segura a moça, pois ela é pequena e não acha lugar pra segurar. A mágica aconteceu ali. Conversaram, trocaram telefone e bom, lá estavam. 
Agora voltemos ao apartamento. Ela ainda deitada admira o homem oco vestindo-se, ajeitando o blazer, dando um tapa no topete. Aquilo tudo para ele, só mais uma mulher semi-deusa que levava para a cama. Para a semi-deusa, bom, só mais uma celebração á Dionísio, coisa rotineira.
 Nosso protagonista sai daquele local pensando "Não acredito, 23 horas ainda? Esse sábado não pode acabar assim". E não acabou. Correu até a estação, foi até a Sé, de lá foi até a Luz, de lá, desceu na Ana Rosa. Sim, aquela região da Vila Mariana onde aventuras e absurdos aconteceram. 
 Entra num bar muito frequentado por amigos antigos, senta no balcão e ao seu lado um companheiro de muitas guerras, Pedro O Jornalista. 
- Boa noite. Mr Hollow Man.
- Boa noite meu amigo Pedro. Como vai o cavalheiro?
- Andando. Aproveitando o sábado para fugir da família e beber um pouco. E o senhor?
- Bem... Lembrando algumas aventuras.
- Ah, nossas aventuras... 
- Poderíamos aproveitar a ocasião, comemorar com aquelas senhoritas ali naquela mesa.
- Não temos mais 25 anos, dez passaram-se, eu casei e tenho filhos.
- Ora, uma vez na vida não faz mal. 
- Essa é a vida que planejei, que lutei pra ter, não vou estragá-la por uma noite de potrancas e bebidas caras. 
- Tudo bem então, vá pra sua vida. 
 Pedro levantou-se, pagou a conta, pegou uma caneta, um guardanapo e escreveu nele: " a vida não é feita só de prazeres carnais". E realmente não era, o homem oco sabia muito bem disso, ouviu e assistiu essa lição fazia anos. Foi criado na pobreza e humildade, e aprendeu o quão batalhador deveria ser para chegar em grandes altitudes. 
 Voltou para o apartamento da senhorita descendente de italianos, antes que o sistema metropolitano de transporte fechasse. 
 No outro dia voltou ao Brás ( bairro que aconteceram outras coisas incríveis). Tomou o trem, o bom e velho trem suburbano para voltar para casa. Se tinha uma coisa que admirava ali era a cachaça barata, o povo honesto e trabalhador, e tinha orgulho de ser dali, foi ali que aprendeu tudo o que precisava, para torna-se um homem oco.

                                 
                          
Estação Itaim Paulista
Extremo Leste






  

2 de mar. de 2014

O Mundo Logorama

Há um curta-metragem animado, cujo nome é "Logorama".
É uma das obras mais lindas que já vi na minha vida. Simplesmente incrível  o trabalho dos franceses François Alaux, Hervé de Crecy e Ludovic Houplain que escreveram o roteiro e dirigiram. 
O curta é sobre uma Los Angeles construída e habitada por logos e mascotes de empresas mundialmente (ou não) conhecidas. Porém (atenção aqui tem spoiler) a mensagem do filme vai além do consumismo. Os animais no zoo representam os países desenvolvidos ( Que quando soltos são ferozes e velozes, porém quando trancafiados não "passam da 2a marcha". E o final, no final tudo acaba por causa do petróleo. Se o petróleo acaba, nós acabamos (?). Uma questão que fica, como manter todo o sistema, nosso lindo e perfeito sistema capitalista democrático quando a Terra atacar toda agressão provocada pelo ser humano?
 No final do episódio "A Tree Grows In Springfield" do desenho "The Simpsons", Logorama tem sua versão "simpsonsada", onde a fabulosa boneca "Malibu Stacy" (paródia da Barbie) é vitima de um terrível monstro e uma especie de "elfo" á salva enquanto o estereótipo de homem forte sai correndo. Passando uma mensagem de valores verdadeiros em meio aos outdoors e outros elementos de consumo.







Logorama- Legendado




Logomania- The Simpsons